Categoria: Basílica
20/07/2026 Por: Nayane Moreira | Jornalista
O Largo do Socorro, em Juazeiro do Norte, foi tomado por uma multidão de fiéis na manhã deste 20 de julho. Moradores da cidade e romeiros vindos de diferentes municípios do Brasil se reuniram para marcar os 92 anos da morte do Padre Cícero Romão Batista, uma das principais referências religiosas e culturais do Nordeste.
“Como todos os dias 20 de cada mês, nós nos encontramos aqui nessa capela onde está sepultado o Padre Cícero Romão, com a missão de agradecer por todo o legado, todo o bem que ele fez, nos ensinando também a fazer. E 20 de julho se torna ainda mais especial porque é a data da sua páscoa. Esse ano estamos celebrando 92 anos de uma história de alguém que dedicou a vida, passou por desafios, mas continuou sendo uma presença do céu”, afirmou Padre Cícero José, reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores.
Missa reúne religiosos e romeiros
Na primeira missa do dia, celebrada às 6h, bispos e padres da Diocese de Crato e de igrejas particulares que participam das romarias se uniram aos fiéis em um momento de oração e homenagem. Para os sacerdotes que também chegam a Juazeiro como peregrinos, a trajetória de Padre Cícero representa um exemplo de fé e dedicação ao próximo.
“A gente, quando vem, não só vem prestar um serviço religioso, mas vem se renovar. Então, nas nossas vidas, nas comunidades, nas paróquias e nas dores pessoais de cada um, quando a gente olha para alguém que, como disse Dom Magnus, esteve diante de Deus de joelhos para levantar tanta gente, é esse exemplo de fé que eu quero ter também na vida, no ministério e como filho de Deus, para estar ao lado dos sofredores”, destacou Padre Paulo Henrique de Almeida, SDB, sacerdote salesiano.
Entre os romeiros, o sentimento também é de renovação da fé, agradecimento pelas graças alcançadas e confiança na intercessão de Padre Cícero, carinhosamente chamado por muitos de “padrinho”.
“Toda vez que eu me pego com ele, sou válida. Todas as preces que eu faço com ele, sou válida. Graças a Deus, tenho muita fé”, contou Cícera Maria, romeira de Pernambuco.
A devoção também mantém romeiros retornando a Juazeiro do Norte em diferentes períodos do ano.
“Eu já alcancei muitas graças e estou todo ano aqui, todo mês de janeiro e todo mês de julho, para celebrar o aniversário de falecimento dele”, relatou Josefa Miguel, romeira do Rio Grande do Norte. Para Vitória Félix, também do Rio Grande do Norte, a presença no local é uma forma de agradecer pela fé recebida. “Com a fé e a força de Deus que a gente tem, meu padrinho está aqui hoje agradecendo a ele”, afirmou.
Causa de beatificação segue em análise no Vaticano
A história de Padre Cícero continua sendo construída em duas frentes que caminham lado a lado: a devoção popular, que permanece viva entre os romeiros, e o trabalho institucional da Igreja Católica em torno da causa de beatificação. Reconhecido como Servo de Deus em 2022, Padre Cícero segue no caminho para a beatificação. Atualmente, a causa está em fase romana de análise no Vaticano.
Segundo Dom Magnus Henrique, bispo da Diocese de Crato, o processo representa o reconhecimento das virtudes atribuídas ao sacerdote e precisa contar com a oração dos fiéis. “A Igreja, juntamente com todo o povo, reconhece o grande homem que foi o Padre Cícero. Reconhece as virtudes do Padre Cícero. E, reconhecendo as virtudes, a Igreja está trabalhando para que assim possa ser reconhecido oficialmente e tenhamos a grande alegria tão esperada, que é a beatificação. Então, juntos, rezemos para que tudo isso aconteça conforme a vontade de Deus”, declarou.
Fé que permanece viva
Se depender dos devotos, oração e devoção não faltarão. Décadas após a morte do sacerdote, o legado de Padre Cícero continua presente na vida de milhares de pessoas que chegam a Juazeiro do Norte; por isso, antes de iniciarem a viagem de volta para casa, os romeiros fizeram questão de cantar ao final da missa uma das expressões mais conhecidas da devoção ao sacerdote: “Olha lá no alto do Horto, ele tá vivo, Padre não tá morto.”
A frase resume o sentimento que levou a multidão ao Largo do Socorro, pois, para os devotos, a morte de Padre Cícero não encerrou sua presença. Sua memória e seus ensinamentos continuam vivos na fé de quem mantém a devoção e retorna a Juazeiro para agradecer, pedir e renovar a esperança.
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