Categoria: Igreja
26/08/2026 Por: A12 Redação
No dia 26 de abril de 2026, celebramos com alegria e gratidão, os 160 anos da devoção pública ao ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Esta missão foi confiada à Congregação do Santíssimo Redentor pelo Papa Pio IX, em 1866. Desde então, a devoção espalhou-se pelo mundo como sinal de esperança, consolo e confiança no auxílio materno de Maria.
No Nordeste do Brasil, essa presença ganhou contornos únicos na terra de Juazeiro do Norte. Ali, a devoção floresceu de forma singular, antes mesmo da chegada oficial das missões redentoristas à região, que só se iniciaria em 1947, em Garanhuns (PE), com os primeiros missionários, os padres Adriano, Inácio Fenstra, Joaquim Van Dongem e Miguel Radermacher.
A partir dali a devoção se expandiu para cidades como Recife, Salvador e Campina Grande. Mas Juazeiro já havia trilhado um caminho próprio.
Devoção do “Padim” à Mãe do Socorro
Décadas antes da chegada dos redentoristas, o Padre Cícero Romão Batista, “Padim” dos nordestinos, com sensibilidade pastoral e visão de fé, abriu um verdadeiro “atalho espiritual”.
Ali, com a fé de Dona Hermínia Gouveia, o ícone da Mãe do Perpétuo Socorro encontrou terreno fértil no coração do povo sertanejo.
A construção da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está ligada a uma promessa nascida da dor e da esperança por ela que era devota e amiga próxima de Padre Cícero.
Ela fez uma promessa pedindo a cura do Padre Cícero de uma doença grave na perna, a erisipela. Dona Hermínia inspirou a construção da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Em 1908, o templo foi inaugurado, tornando-se rapidamente um espaço de acolhida, oração e peregrinação. Em 1934, com o falecimento e sepultamento do Padre Cícero no local, a capela consolidou-se definitivamente como centro de fé e devoção.
Linha do tempo:
Imagem trazida da França
A imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro presente em Juazeiro também carrega uma história especial. Foi o próprio Padre Cícero quem a encomendou na França, utilizando catálogos de arte sacra europeia.
Feita em gesso policromado, a peça seguiu por via marítima até o Brasil e, depois, por terra até o Cariri, chegando por volta de 1907-1908.
Diferente do ícone original de Roma uma pintura bizantina sobre madeira, a imagem de Juazeiro é uma escultura no estilo francês do século XIX (Saint-Sulpice), com traços mais suaves e expressivos.
Essa escolha favorecia a proximidade emocional dos fiéis, sem perder os elementos simbólicos essenciais da devoção.
Entre esses elementos, destaca-se o detalhe da sandália do Menino Jesus, que aparece desatada, simbolizando sua humanidade e seu refúgio nos braços da Mãe diante do sofrimento.
Com o passar dos anos, especialmente após a Páscoa definitiva do Padre Cícero, a capela tornou-se o coração espiritual de Juazeiro. Ali, fé e história se entrelaçam. Ali, o povo reza, agradece, chora e confia.
A devoção à Mãe do Perpétuo Socorro uniu-se profundamente à memória do “Padim”, formando uma das mais belas expressões de religiosidade popular do Brasil. De modo especial, a cada dia 20, multidões se reúnem para celebrar e renovar sua fé.
É um testemunho vivo de amor, fidelidade e esperança de um povo que reconhece na Mãe do Socorro aquela que intercede, protege e nunca abandona seus filhos.
Celebrar este jubileu é reconhecer que essa devoção não pertence apenas ao passado: ela continua viva, atual e necessária.
Em tempos de desafios e incertezas, o olhar sereno da Mãe do Perpétuo Socorro segue apontando para Cristo, fonte de todo consolo e redenção.
Que os 160 anos desta devoção reacendam em nossos corações a confiança filial, fortaleçam nossa caminhada de fé e nos inspirem a sermos sinais vivos do amor de Deus no mundo.
Escrito por Redentoristas
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