Só por eles me consagro (Jo 17, 19)

Só por eles me consagro (Jo 17, 19)

Categoria: Basílica

24/07/2021 Por: Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores


Só por eles me consagro

(Jo 17, 19)

 

Aos padres, irmãos romeiros.

 

A partir do lema de minha ordenação sacerdotal – “Só por eles me consagro” (Jo 17, 19) – gostaria de lhes propor uma breve reflexão sobre a nossa missão junto ao povo de Deus nesses tempos de pandemia, marcados pelas tribulações e desafios causados pela Covid-19. E embora a vacinação esteja avançando, o povo continua assustado, desorientado e temeroso. Empregos e salários permanecem perdidos, a fome ronda as famílias e outras sequer têm abrigo onde viver.

Também nós, sacerdotes, experimentamos a fragilidade. Mas uma vez tirados do meio do povo, somos consagrados para agir “In persona Christi”, isto é, “na pessoa de Cristo”. Por causa dessa consagração e da missão que recebemos das mãos do bispo somos chamados a dar maior testemunho, como fez o Padre Cícero Romão.

Para ficar mais claro: a quem o povo recorria quando se sentia ameaçado pela exploração, pela miséria, pelas secas e epidemias? Ao padre. A quem o povo pedia conselhos quando se via desorientado? Ao padre. E a quem o povo agradecia depois de confortado? A Deus, nosso Senhor. E por quê? Por que viam no padre a figura de Cristo.

É essa a condição que deve nos tornar mais atentos na administração das nossas próprias fragilidades, medos e incertezas. Os tempos são outros, é verdade, estão mais agitados, mais individualistas, mais exigentes, mas o povo continua a esperar de nós palavras de consolo e esperança, principalmente agora em meio a situações pastorais e humanas tão desafiadoras. 

“Só por eles me consagro”, mais do que uma exigência do ministério, deve ser a nossa oração diária convertida em ação. Penso que essa também foi a prece do Padre Cícero quando ele, sozinho, rezava diante do oratório pedindo forças para aguentar as perseguições, as incompreensões e o cansaço. Assim foi conseguindo promover a conversão missionária e pastoral dos seus “amiguinhos”, residentes na Vila Tabuleiro Grande, hoje Juazeiro do Norte, um dos maiores centros de Romaria do Brasil. Os amiguinhos, por sua vez, cresceram, multiplicaram-se e tornaram-se uma nação.

Que este testemunho de fé e de confiança em Deus, renovada todos os dias ao pé do altar, recorde aos nossos corações a dupla missão que temos pela graça da vocação e do sacerdócio: “Só por eles me consagro”. O povo espera de nós aquilo que o apóstolo São Paulo tanto insistia com os filipenses: “Tendes em vós o mesmo sentimento de Cristo” (Fl 2, 5).

 

Padre Cícero José da Silva

Pároco/reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores

 

 

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