Representantes da Pastoral de Romarias de Juazeiro do Norte vão a Coité do Nóia para a Missa de 7º dia dos romeiros vítimas de acidente na AL - 220

Representantes da Pastoral de Romarias de Juazeiro do Norte vão a Coité do Nóia para a Missa de 7º dia dos romeiros vítimas de acidente na AL - 220

Categoria: Basílica

10/02/2026 Por: Nayane Moreira | Jornalista


Ainda era madrugada quando representantes da Comissão para as Romarias e autoridades municipais de Juazeiro do Norte (CE) iniciaram uma viagem de 578 quilômetros até Coité do Noia, no Agreste de Alagoas. O objetivo era participar da missa de sétimo dia dos 16 romeiros que morreram em um grave acidente de trânsito, registrado na última terça-feira (3), durante o retorno da tradicional Romaria das Candeias. De acordo com informações das autoridades, o grupo retornava ao Ceará quando o veículo em que estava se envolveu em um acidente em um trecho da rodovia que corta o município alagoano. O impacto resultou na morte de 16 pessoas e deixou outros passageiros feridos, que foram socorridos para unidades de saúde da região. 

A tragédia comoveu comunidades religiosas nos dois estados e mobilizou uma rede de apoio às famílias. Antes de chegar à cidade, a comitiva cearense fez uma parada no local do acidente. Ainda há marcas visíveis da tragédia às margens da estrada, mas também sinais de fé, como velas e flores deixadas em homenagem às vítimas. Em silêncio, os integrantes rezaram e prestaram solidariedade às famílias. “Impossibilitados de estarmos no dia da tragédia, na terça-feira, após a Romaria de Candeias, nos organizamos para estarmos rezando com os familiares o sétimo dia”, afirmou o padre Cícero José, reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte.

O prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), também destacou o gesto de união. “É uma unidade, parando aqui no local onde aconteceu essa tragédia, elevamos a Deus uma prece para que as famílias enlutadas possam viver o luto sem perder a fé na ressurreição. Neste momento nós estamos fazendo esse caminho inverso. Vem essa comitiva, essa caravana da solidariedade, mostrar para toda a nação romeira que nós estamos irmanados nesse mesmo sentimento, sentimento de dor, sentimento de sofrimento, mas o sentimento de esperança”, declarou.

 

Comitiva da solidariedade

Integraram a caravana de Juazeiro do Norte o padre Cícero José, reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores; Francisca Santana, gestora do Horto do Padre Cícero; o padre Francisco Vital, sacerdote da Diocese de Crato; o prefeito Glêdson Bezerra; a primeira-dama e chefe de gabinete, Sandra Cavalcante; o vereador Vinícius Duarte; o secretário de Cultura, Renato Willames; e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria, Wilson Soares. A presença das autoridades civis e religiosas reforçou o caráter institucional e pastoral da visita, marcada por gestos de proximidade e apoio às famílias enlutadas.

 

Celebração reúne multidão

No início da noite, moradores, autoridades civis e romeiros que chegaram em caravanas de outras cidades se reuniram para a missa de sétimo dia. A quadra onde ocorreu a celebração ficou lotada, e telões foram instalados do lado de fora para permitir que os fiéis acompanhassem a cerimônia. A missa foi presidida por Dom Valdemir Ferreira, bispo da Diocese de Penedo, e concelebrada por padres de outras dioceses e arquidioceses.

“A igreja como mãe, ela está com seus filhos na alegria, na esperança, mas também no momento de dor e de tristeza. A pastoral de Romaria, que acolhe os romeiros lá, neste dia não poderia ficar em Juazeiro, mas deveria vir aqui ao encontro das famílias da igreja que está aqui na Diocese de Penedo”, afirmou Frei Deusimar de Sousa, pároco da Paróquia São Francisco das Chagas.

Para o padre Leandro Francisco, coordenador pastoral da Colina do Horto, a celebração reforça o sentido da fé cristã diante da perda. “É um momento de comunhão, de orações e também de fé, porque toda a dor, todo o sofrimento ele diminui na medida em que nós, na certeza da ressurreição de Cristo, também acreditamos em que esses nossos irmãos não jazem na morte, mas em Deus”, disse.

Em sua homilia, Dom Valdemir ressaltou o significado do sétimo dia na tradição católica. “A celebração do sétimo dia é justamente para dar esse segundo passo da vida do enlutado, não mais só aquela tristeza, a decepção, o desencanto ou o sofrimento. Tudo isso, aos poucos, vai passando, porque é a nossa fé na ressurreição de Jesus”, afirmou.

 

Luto e esperança

Uma semana após a tragédia, Coité do Noia ainda tenta retomar a rotina. O luto recente se reflete nos rostos de quem perdeu parentes e amigos. Entre lágrimas e abraços, a fé tem sido apontada como sustento para seguir em frente. André Alcântara, que perdeu quatro familiares no acidente, relatou a dor da despedida. “Perdi quatro familiares, uma tia e três primos. Mas naquele momento eu sempre pedi força a Deus. Sou muito devoto de Nosso Senhor Aparecida e do Padre Cícero e creio que foi eles que me deram força de ver aquelas cenas, perder a minha tia e seguir”, contou.

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