Relação autêntica: por que amar e brigar?

Relação autêntica: por que amar e brigar?

Categoria: Artigos

07/06/2025 Por: Pe. George de Brito

Pe. George de Brito

Pe. George de Brito

Psicologia 10/10
Lic./Esp. Em Filosofia
Bacharel e Mestre em Teologia


O atual contexto sociocultural, impulsionado pelos novas mídias sociais, menospreza e invalida toda e qualquer incidência de desarmonia. Tudo deve ser perfeito, prazeroso e belo. E isso também reflete em nossas relações, que devem ser harmônicas, sem espaço para desentendimentos, sem nenhuma briga. Somos levado a pensar que se tudo está tranquilo, bastante sereno e muito calmo significa que o/s relacionamento/s está/ão indo muito bem. Será mesmo? E, além dos fatores contextuais do meio que influenciam esse comportamento, há algo a mais por traz disso? Certo que há.

Pensar que estabelecer relações saudáveis e satisfatórias se faz na ausência de desentendimentos, é mera ilusão. Silenciar os desconfortos, calar as insatisfações e ignorar os atritos nunca será sinal de maturidade, mas de esquiva ou de distância emocional. Ao evitar diálogos difíceis sobre coisas que incomodam, machucam e angustiam lançamos as bases para o ressentimento. As vezes até falamos, mas não a quem deveríamos falar. Embora o desabafo possa aliviar, não resolve. 

E quando se busca a terapia, porque os desabafos não surtem mais efeito, não é mais sobre a palavra que feriu ou sobre a atitude que machucou, mas por causa daquelas conversas evitadas. O relacionamento se desgasta porque não há diálogo nem partilha. Calou-se para evitar confronto e conflito, e, ressentindo-se, veio o ranço e a mágoa. O que se evitou tocar e falar na relação, torna-se pesado, complicado e difícil.

O silêncio deve existir quando meio para a cumplicidade de olhares que se entretém em acolhimento mútuo. Mas se for usado como instrumento de culpa ou por receio de ser desagradável com o outro, ou ainda, para permitir o fluxo de deixar fluir a relação que está “tão bem”, não é tão bom. Claro que não se deve discutir por tudo nem em todo lugar. É preciso ter tolerância. Contudo, bancar a fantasia do “foram felizes para sempre” pode custar bastante caro. Os relacionamentos exigem dedicação, responsabilidade e cuidado, também revisões e conversas difíceis, e ainda confiança sincera, autenticidade e manutenção. Não existem relações com baixa manutenção, mas ausência de interesse, escassez de compromisso e super abundância de superficialidade. 

Um relacionamento, seja como for sua configuração, precisa que seus sócios entendam e coloquem tudo no meio a meio, ou seja, nem um é juíz nem outro culpado. A abertura ao diálogo não é caça às bruxas. Ambos, porém, não devem defender suas posições, devem buscar conexões que favoreçam entendimento e a compreensão de sentimentos. E o toque em certos assuntos delicados que a conversa difícil possibilita favorece o acesso ao outro e o ser acessado por ele com maior respeito e estima. E mais. O peso de certas conversas não invalida o amor e momentos difíceis nunca impedem gestos afetuosos. A crise, na verdade, dá a conhecer toda a força de um relacionamento. Enfim, relacionar-se é saber incluir os conflitos no amor.


Pe. George de Brito

Psicologia 10/10

Lic./Esp. Em Filosofia

Bacharel e Mestre em Teologia

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