Perdão: perdoe-se, perdoe

Perdão: perdoe-se, perdoe

Categoria: Artigos

31/05/2025 Por: Pe. George de Brito

Pe. George de Brito

Pe. George de Brito

Psicologia 10/10
Lic./Esp. Em Filosofia
Bacharel e Mestre em Teologia


Fala-se muito sobre os benefícios do Perdão. É preciso, no entanto, entender, antes de suas consequências benéficas, o que é perdoar. De início, perdoar nada tem haver com esquecer. Esquecimento, na verdade, preocupa, pois significa que a pessoa não aprendeu com a situação acontecida. Houve um recalque, ou seja, ou a pessoa sofre com um ressentimento, que guia seu comportamento, desconhecendo as causas de seu sofrimento psíquico, ou, muito pior, volta a se permitir ser machucada sempre e reiteradamente - a chamada “síndrome do dedo podre”. 

Perdão é fazer uma retificação de sentido, isto é, ressignificar o fato passado, quero dizer, recordar sem fazer doer o coração, lembrar sem se machucar, sentir sem se ressentir com a dor. E isso só se torna possível quando se é capaz de perdoar a si mesmo. Sim! Quantas vezes deixei passar o que deveria ter sido barrado; fiquei esperando o outro se perceber em suas ações enquanto me feria; deixei passar, afinal, esse era seu jeito; quantos “tô brincando” fizeram doer a alma, enfim, compreendo tudo, sem ser compreendido em nada… 

Não posso perdoar o outro sem antes me perdoar. Perdoe-se! Perdoe-se por ter confiado de mais; por ter sido muito profundo com pessoas tão rasas; fiel, com um/a infiel; pela sinceridade com quem apenas te enganou e mentiu. Ao aceitar que apesar de tudo não consegue perdoar, perdoe-se. E perdoe-se ter deixado o outro ir sem ti. Assuma somente aquilo que te cabe e que está na sua responsabilidade de mudar e resolver. Não se permita mais receber o resto ou lixo do outro. Arrume a casa do coração e só permita entrar aí quem não vier para machucar e ferir. Chega de bagunças!

Ora, perdoar é revisar e revisitar atos e atitudes. Acolher-se. É dizer ao outro, com gestos e ações, que não merecia o que lhe foi feito. Perdoe, não para voltar ao que era antes, nem para deixar como está, nem menos ainda fazer de conta que nada houve, mas para estar de bem consigo mesmo. Saiba que o perdão, o perdoar-se e o perdoar nunca significam deixar que se repitam certas coisas passadas. Não! É, ao invés disso, a chance dada a si de recomeçar e fazer diferente; é meio oportuno de se conhecer melhor, de dar ao outro a possibilidade de nos amar e nos conhecer sem máscaras e com respeito a nossas marcas, características e traumas, e, assim, estabelecer laços de amizade seguros.  

 

Pe. George de Brito

Psicologia 10/10

Lic./Esp. Em Filosofia

Bacharel e Mestre em Teologia

Comentários:

Inscreva-se em nossa Newsletter

Inscreva-se em nossa lista de e´mails para receber notificações de notícias, eventos e outras informações da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores.