Na veste preta do luto a esperança do dia 20

Na veste preta do luto a esperança do dia 20

Categoria: Artigos

20/07/2021 Por: Fagner Andrade

Fagner Andrade

Fagner Andrade

Pernambucano
Romeiro de Salgadinho
Mestre em Antropologia e Cientista Social pela UFPE.


É chegado mais um dia vinte de julho, oitenta e sete anos da passagem do Padrinho para a eternidade, ele “se mudou”, bem disse os romeiros, mais ainda cantou Gonzaga. Porém, sabemos que tudo isso retrata a verdade da fé Cristã que professa e crê piamente na eternidade de Deus.

Tem sido tempos difíceis, milhares morrendo, outros adoecendo, fome, desemprego, crise econômica e ausência física nas romarias, dentro de cada um de nós urge uma esperança motivadora e que nos leva mais adiante e nos faz olhar sempre em frente. Com todo respeito aos que partiram e por seus familiares que choram por estes, junto a uma dor de despedida fria e cruel. A poucos dias perdemos um grande ícone na caminhada de romeiros, religiosos e religiosas, pesquisadores e admiradores, a querida irmã Annette Dumoulin. Me enquadro profundamente entre esses que sentiram sua partida e são gratos por tudo que fez e desempenhou liderando, defendendo e motivando.

Em todo esse contexto que nos apresenta dores, incertezas e medos, nos vem fortemente o exemplo do Padre Cícero que nos ensina que “Deus nunca deixou trabalho sem recompensa e lágrimas sem consolação”. Annette sempre buscou apresentar o Padrinho respondendo a questão “E Quem é ele?”, ela focou na vida e no testemunho deste grande “santo dos pobres e da Igreja”, nos deixou obras, textos e reflexões que sem as quais seria muito difícil hoje afirmar a santidade que Cícero buscou em sua vida testemunhada em gestos e ações.

Refazemos esse caminho de dores e perdas para não apenas homenagear, mas celebrar de forma atual e valorativa o vinte de julho que expressa na tradicional veste preta do luto, a alegria e a esperança de ser devoto deste homem que nos ensina a “dar o primeiro passo, pois o resto o bom Deus fará”. Cícero viveu perdas, muitas das quais eram resultados de incompreensões, mas permaneceu firme na caminhada que o levou a ser hoje um grande “luzeiro” que nos ajuda a trilhar os caminhos e estradas do sertão vencendo as pedras, areias e espinhos que tentam nos tirar o foco daquilo que é eterno e daquilo que nos é mais caro.

Existe uma máxima muito utilizada que afirma “Só se ama o que se conhece”. Talvez seja esse um desafio para este dia vinte de julho e o que ele representa para o Nordeste e para todo o romeiro, conhecer verdadeiramente a identidade e personalidade do Padrinho. Para isso recomendamos a obra “Padre Cícero por ele mesmo” ou “Padre Cícero: Santo dos pobres, santo da Igreja”, Textos que Annette produziu com muito foco e determinação, acessíveis e com fácil linguagem para a compreensão de qualquer leitor que deseja viver e experimentar aquilo que fez de Cícero “sal da terra e luz no mundo”.

É um novo tempo em todos os aspectos, mas como disse acima, urge em nós uma grande esperança. Ressignificar é a palavra que nos vem, ressignificar a dor, o medo e o desespero. Fazer com que tudo que vivemos seja transformado em força para ir além, vinte de julho, oitenta e sete anos se passaram e ainda hoje ele é tão atual, presente e “vivo em nossa luta”. Que tudo isso passe é o nosso desejo, reencontrar é a vontade e conhecer o padrinho um desafio para aquele e aquela que quer amar e acreditar em dias melhores.

Comentários:

Inscreva-se em nossa Newsletter

Inscreva-se em nossa lista de e´mails para receber notificações de notícias, eventos e outras informações da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores.