Confira as palavras do reitor da Basílica Santuário na abertura do Simpósio do Padre Cícero Romão Baptista

Confira as palavras do reitor da Basílica Santuário na abertura do Simpósio do Padre Cícero Romão Baptista

Categoria: Basílica

06/10/2020 Por: Assessoria de Imprensa


Na manhã desta terça- feira, 06 de outubro, teve início o Simpósio Padre Cícero Romão Baptista.O Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Arquidiocese do Rio de Janeiro e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em parceria com Diocese de Crato – CE estão à frente desse debate acadêmico que acontece de forma online, até amanhã.

Da mesa de abertura participaram o cardeal do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, o bispo de Crato, Dom Gilberto Pastana, o pároco e reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, Padre Cícero José da Silva, e o diretor do Departamento de Teologia da PUC-RJ, Prof. Dr. Padre Waldecir Gonzaga, e outros padres reitores de universidades.

Confira, na íntegra, as palavras do Padre Cícero José:

“A minha defesa quem fará é a própria Igreja”

Padre Cícero Romão Batista

Vossa Eminência, Cardeal Orani Tempesta, Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Gilberto Pastana, Reverendos Padres Josafá e Waldecir, senhoras e senhores presentes neste simpósio “Um Padre e sua fé: Cícero, história e legado”.

Quando, em março, o Governo Estadual do Ceará decretou o fechamento de estabelecimentos considerados não essenciais e a suspensão de eventos e outras atividades que gerassem aglomeração de pessoas, era véspera do dia 20, tradicional missa em sufrágio da alma do Padre Cícero Romão Batista.

Diante do pequeno oratório que tenho em meu quarto, olhando para a Imagem do Sagrado Coração de Jesus e do Padrinho, pedi que me ajudassem, pastoralmente, sobretudo no que diz respeito às romarias e para que a mensagem do Reino de Deus continuasse chegando às famílias.

Enquanto o fazia, veio-me à lembrança àquela mesma noite, na qual o Padre Cícero, depois de horas a confessar os fiéis, caiu em sono profundo e viu Jesus se aproximar dele, com o Coração flamejante. Ali, foi revelada qual deveria ser a sua missão aqui na terra. Disse Jesus:

“E tu, Cícero, toma conta deles”.

Àquela época, Juazeiro do Norte ainda era um povoado de pouco mais de trinta casas de palhas, ameaças pela seca e por constantes epidemias. Era a Vila Tabuleiro Grande.

Voltei, então, ao pedido do Coração de Jesus ao Padre Cícero e nele encontrei o modo exato de como deveríamos agir, principalmente enquanto comunidade sacerdotal, em relação à missão que a Igreja nos confiou, ainda mais agora, em tempos incertos e desafiadores de pandemia: tomar conta do povo.

Neste caminho longo, cheio de pedra e areia, como cantam os romeiros, os mesmos desalentos de Padre Cícero também rondam o nosso espírito sacerdotal. Mas a história e o legado dele permanecem como luzeiros.

Assim, o sentido de “tomar conta”, de “cuidar” é ressignificado. Consiste em dar respostas às realidades que se descortinam aos nossos olhos, em acolher com ombro de amigo e ter ouvido sempre atento às necessidades.

Embora estejamos ainda abatidos pelos estragos promovidos pelo novo coronavírus, diria o Padre Cícero: “Deus está sobre tudo e é providência até das folhas que caem das árvores, quanto mais de nós que somos os seus filhos”. É nessa certeza que seguimos, confiando-nos à Providência Divina e à poderosa intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, a quem o Padrinho tanto nos ensinou a amar e a venerar como nossa Mãe das Dores.

Quis fazer este breve discurso retomando o sonho do Padre Cícero para mostrar que, principalmente, no âmbito pastoral, a história e o legado dele exigem a constância na fé. Recorro ao sonho para entender que, tal e qual o Padre Cícero, é preciso vive-la de forma simples, no meio do povo, por meio da acolhida, da partilha, da comunhão fraterna e de orientações acertadas para a convivência com as intempéries. É isso também que destaca o Secretário de Estado de Sua Santidade, o Papa Francisco, em carta enviada à Diocese de Crato, datada de 20 de outubro de 2015. O Cardeal Parolin sublinha ainda que a ação pastoral de Padre Cícero sempre esteve em sintonia com o povo que o compreendeu e amou-o, perpassando tempos e épocas.

É verdade que o Padre Cícero é mais conhecido pelos famosos fatos de Juazeiro, sobre o Milagre da Hóstia, ocorrido em 1889. Estes fatos, escreve o Cardeal Parolin, continuarão em estudo, mas há outras ações que merecem destaque, como é o caso de sua atuação pastoral e testemunho de vida.

Além disso, tudo quanto ele promoveu e empreendeu em torno da pequena Capela dedicada a Nossa Senhora das Dores elevou a Vila Tabuleiro Grande à condição de município, hoje Juazeiro do Norte, também chamado de “Capital da Fé”, para onde acorrem milhares de peregrinos não mais só do Nordeste, mas do Brasil e até do mundo. E tudo a partir de uma resposta para tomar conta do povo.

Padre Cícero, portanto, constitui um modelo daquilo que a Igreja nos pede, de estar em saída e em estado permanente de missão, na escuta da fé vivida pelos humildes e pelos pequeninos. E quem se detém a pesquisar a sua história e o seu legado verá o quanto são fascinantes e, ao mesmo tempo, complexos. Por isso, tenho este Simpósio como mais uma oportunidade para agradecer o trabalho incansável de pesquisadores, professores e alunos que, de alguma forma, reafirmam a importância do serviço eclesial e pastoral do padrinho da nação romeira para a vida e a missão do Povo de Deus, lançando luzes ao passado por meio de leituras, estudos e reflexões, pois a razão é sempre iluminada pela fé.

Certamente, as reflexões aqui apresentadas nos ajudarão a ir além da devoção, ampliando o acervo de relatos que buscam esclarecer pontos controversos e acentuar os aspectos positivos da vida do Patriarca do Nordeste, tal como é atualmente percebida pelos fiéis, como também escreveu o Cardeal Parolin.

Que este Simpósio seja para nós oportunidade de conhecimento e de aprendizado, mas também de experiência da fé em Jesus Cristo, para que possamos ser, cada vez mais, discípulos, romeiros e missionários, seguindo os exemplos e conselhos do “Padre e da sua fé”. E como ele mesmo dizia, a gratidão é uma virtude do Céu. Tenhamos todos bons e frutuosos debates.

 

Pe. Cícero José da Silva

Pároco e reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores

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