A Pedagogia Pastoral do Padre Cícero

A Pedagogia Pastoral do Padre Cícero

Categoria: Artigos

22/08/2021 Por: Fagner Andrade

Fagner Andrade

Fagner Andrade

Pernambucano
Romeiro de Salgadinho
Mestre em Antropologia e Cientista Social pela UFPE.


A homilia de Dom Magnus (Bispo de Salgueiro-PE) na celebração do dia 20 de agosto, foi de muita energia e vibração no sentido da presença e da palavra de quem vive a experiência romeira de forma original e autêntica. Mais ainda de quem diante do túmulo do padrinho o reverencia e o traz como exímia ferramenta pedagógica para sua pastoral enquanto Bispo diocesano.

Nos últimos anos tenho observado um vultuoso número de sacerdotes, bispos e até cardeais que tem chegado ao Juazeiro do Padre Cícero, alguns atraídos pela história do sacerdote Cícero Romão, outros por curiosidade. Porém um detalhe é necessário ser analisado e posto em debate, trata-se da socialização familiar que através das gerações e seus discursos fomenta e motiva entre os mais jovens o desejo de ir ou voltar a Juazeiro do Norte, dentro do ciclo, principalmente das grandes romarias. Para ilustrar ainda mais nossa reflexão gostaria de frisar que muitos dos padres ou seminaristas de hoje, são netos de uma avó romeira ou filhos de pais romeiros.

Podemos afirmar sem medo que as romarias do Padrinho cultivaram no seio da Igreja, especialmente no Nordeste vocações romeiras e defensoras do fenômeno de Juazeiro e do próprio Patriarca. Hoje eles vêm com suas famílias, com suas paróquias, comunidades e grupos de sacerdotes, desenvolvendo uma fraternidade sacerdotal consolidada em valores que conhecemos bem, tendo em vista nossa tradição romeira. Não há dúvida que a tendência é ainda mais esse fenômeno se consolidar e alargar-se como vem acontecendo, também entre aqueles que emergem dentro de um contexto mais tradicionalista. Realmente o Padre Cícero no passado arregimentou pessoas de diversas classes sociais e hoje ainda tem essa capacidade de agregar e juntar.

O Sucesso de tudo isso se dá por dois âmbitos, o primeiro deles está na escola dos sofridos e marginalizados que reúne aqueles que acreditam que o “Padre Cícero foi bálsamo para aqueles que a vida deixou alquebrados e feridos” (Dom Magnus). Segundo pela própria experiência de fazer a romaria que alimenta as necessidades e os valores mais intrínsecos do cristianismo como: solidariedade, partilha, fraternidade e amizade. Esse processo ocorre por meio da piedade sertaneja e devota que muitas vezes é esquecida dentro do âmbito dos seminários e academias, mas que ainda nos dias atuais continua a ecoar entre o povo Nordestino, resultado das novenas, procissões, renovações (PAZ, 2011) que num passado foram semeadas e mesmo com todo transformar da sociedade, ainda continuam a dar frutos, pois estão firmadas acima de tudo na fraternidade humana e comunitária.

Para concluir esta nossa reflexão, gostaria de destacar a importância da presença ou se fazer presente, talvez essa seja uma das principais marcas da pedagogia pastoral do Padre Cícero, por isso ele tornou-se padrinho do povo. As Irmãs Annette e Ana Teresa deixaram bem claro no livro “Padre Cícero por ele mesmo”, mais especificamente nos tópicos em que elas se debruçam sobre os sofredores, injustiçados e também sobre a seca. Ele esteve atento a essas realidades, tão complexas e difíceis do nosso povo, por isso ele foi “bálsamo” e ainda hoje colhemos os frutos de sua metodologia de ação pastoral e contínua em favor de todos.

Desta forma coloca-se para nosso aprofundamento e urgência missionária o que realmente foi o Padre Cícero no âmbito pastoral, um desafio que não se pode apenas verificar através dos livros, mas no colocar-se a caminho, fazendo a experiência que só os próprios romeiros podem ensinar corretamente.

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