A Fé simples: Preferida de Deus

A Fé simples: Preferida de Deus

Categoria: Artigos

24/04/2021 Por: Thomas Éric da C. Carvalho

Thomas Éric da C. Carvalho

Thomas Éric da C. Carvalho

Seminarista Estagiário da Diocese de Salgueiro-PE


Creio que muitos de nós romeiros do Céu e da mística que há Juazeiro, já paramos alguma vez na vida para nos perguntarmos: será se tenho fé? Se tenho, ela alcança o Coração de Deus? Por vezes, este questionamento não é de todo vazio, mas só o fato de interrogarmos os nossos movimentos de fé, já estamos estimulando um dos princípios essenciais desta mesma virtude teologal (a fé): o perguntar-se pelo Eterno; o apropriar-se do Mistério!

A medida em que peregrinamos como romeiros, mesmo ausentes das nossas idas e vindas ao nosso amado Juazeiro, há agora uma força muito vital a fluir em nossa romaria do coração: a força da fé simples, a preferida por Deus. Vejamos: Quando o povo de Israel foi deportado para o exílio da Babilônia (2Rs 25,1-7), distanciados do Templo, e ao mesmo tempo com a sua identidade marcada pela ausência do culto, o distanciamento da sua sede identitária que era Jerusalém, dos seus familiares e costumes, bem como dos atos de culto ao Deus único e verdadeiro, os mesmos tiveram de viver uma fé simples, reinventá-la, mas não vazia de significados, pois, simplicidade não significa inferioridade, mas utilidade do que é essencial, intensidade no mínimo que possuímos.

Mas a fé simples nos leva a rezarmos com o essencial, prova disso é o salmo 137, onde este povo exilado, com saudades de sua robustez na fé, e ao mesmo tempo lembrando do Templo, da sua identidade enquanto povo peregrino, em meio as saudades do louvor a Deus, relembram que esse tempo de exílio não é de todo avassalador: o mesmo provoca uma revisão de vida e de fé, a tal ponto de relembrarem a preferência de Deus por eles (Jr 1 / Os 11,1), que o amava em sua simplicidade, em sua pequenez, ou antes mesmo antes de serem pré-concebidos como povo eleito para uma aliança de amor.

Vejamos bem: Se a fé simples é a preferida de Deus, logo, a temporalidade que passamos distantes da nossa Jerusalém do Nordeste, o nosso amado Juazeiro, nada mais é do que uma oportunidade de nos reencontrarmos com o essencial de Deus em nós, visto que, tudo desta terra calhará, será lembrada como diziam os místicos como tempo de exílio, pois este mundo é breve, e logo a sua figura passará (1Cor 29-31), mas permanecerá o essencial, aquilo que aprendemos a guardar em nosso coração já mesmo com os nossos antepassados: Deus e as coisas de Deus.

Por isso irmãos e irmãs leitores deste breve texto, lembremos de uma única coisa: de sermos simples diante de Deus, de sermos diretivos nas nossas preces, nunca pensando que Ele de nós se esqueceu, mas que antes por amor e advertência nos permite este breve exílio, que deve ser enxergado como uma oportunidade para a nossa conversão (Jt 8,25-27). Não pensemos que nesta fase Deus se esqueceu de nós, pelo contrário, é hora do seu desdobramento de amor, é o tempo em que Deus está mais sensível a nós (Dt 29,3-5). Nada do nosso espiritual se gastará, se antes soubermos ser sinceros para com a sensibilidade de Deus. Nada poderá nos afastar de seu amor (Rm 8,35-39), ao mesmo tempo que é simples, é o maior de todos, se curva para nos formar, nos conduz por caminhos acertados, e não nos esquece no meio do exílio do tempo presente, mas nos leva para glórias ainda não nomeadas ou vividas.

Na simplicidade das nossas casas, das nossas longínquas cidades e comunidades, dos nossos grupos de romaria, das nossas preces que sobem em coro ou sozinhas, dos cânticos tão cheios de envolvimento, das nossas palavras tão emotivas e fecundas, dos nossos gestos tão eficazes de acolhimento, em tudo isso, vejamos a leveza e a fortaleza de Deus, cientes de que Fé simples, também é Fé robusta.

 

 

Thomas Éric da C. Carvalho

Seminarista Estagiário da Diocese de Salgueiro-PE

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