A ausência das romarias

A ausência das romarias

Categoria: Artigos

21/04/2021 Por: Fagner Andrade

Fagner Andrade

Fagner Andrade

Pernambucano
Romeiro de Salgadinho
Mestre em Antropologia e Cientista Social pela UFPE.


O termo romaria emerge de diversas perspectivas, desde a própria peregrinação dos judeus ao templo de Jerusalém e dos cristãos que percorrem esses caminhos e os de Roma. Certa vez o vigário do Nordeste o Pe. Murilo de Sá Barreto em uma de suas belíssimas homilias das grandes romarias de Juazeiro, fez referência a esse contexto ao dizer que: "Juazeiro é a Roma dos pobres" e ainda acrescentou: "Enquanto os ricos vão a Jerusalém ou a Europa, os pobres vêm a Juazeiro do Padre Cícero e da Mãe das Dores". Evidentemente que Murilo não estava desmerecendo a peregrinação tradicional do cristianismo, mas dando dignidade aos romeiros do Nordeste, cidadãs e cidadãos de uma forte expressão religiosa, tão fiel e original quanto a dos que podem ir até lá....

A pandemia como disse o Papa Francisco "revelou nossas fragilidades". Hoje vivemos a ausência das romarias, desde os que vão a Europa, como nós que vamos ao Cariri cearense. Porém, percebo dois impactos diferentes que ocorrem, por um lado as empresas de viagens "religiosas" que deixam de lucrar e por  outro os fretantes de romaria, pessoas simples que sofrem por não poderem levar seus amigos e comunidades a experimentar o grande misto de "gozo e penitência" (PAZ, 2011) que só as romarias de Juazeiro podem oferecer aos sertanejos que recorrem aquele solo sagrado, marcado pela fé,  religiosidade e cultura que lhes é tão próxima e distante de dogmatismo auto referenciados.

 

Fagner Andrade

Pernambucano

Romeiro de Salgadinho

Mestre em Antropologia e Cientista Social pela UFPE

 

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