12ª noite da Festa e Romaria de Nossa Senhora das Dores: Dom Antônio Carlos realiza pregação sobre a esperança de Maria

12ª noite da Festa e Romaria de Nossa Senhora das Dores: Dom Antônio Carlos realiza pregação sobre a esperança de Maria

Categoria: Basílica

12/09/2025 Por: Nayane Moreira | Jornalista


Na noite desta sexta-feira (12), uma multidão de fiéis se reuniu para viver intensamente a 12ª noite da Festa e Romaria de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte - CE. A Santa Missa foi presidida por Dom Antônio Carlos, bispo da Diocese de Petrolina (PE), cuja homilia marcou profundamente os corações de todos os presentes.

Em um discurso firme, sensível e profundamente espiritual, o bispo conduziu a assembleia a uma reflexão sobre a força da esperança cristã, tomando como exemplo a vida e o sofrimento da Virgem Maria. “Maria sofreu, mas não se desesperou. Ela é a Mãe da Santa Esperança”, afirmou. Com base nos episódios da vida de Nossa Senhora; desde a profecia de Simeão até o Calvário, Dom Antônio falou sobre a dor que muitas mães vivenciam, comparando com a realidade sofrida de tantos nordestinos. “Quantas de vocês, ou de seus ancestrais, tiveram que fugir do Nordeste por causa da seca? Maria também fugiu com seu Filho para o Egito. Quantas mães já perderam seus filhos, às vezes por caminhos difíceis, outras vezes por terem feito o certo? A dor da perda de um filho é uma dor que não tem nome”, disse o bispo.

Juazeiro é a Roma dos filhos do Padre Cícero

Logo no início da homilia, Dom Antônio Carlos resgatou o sentido da palavra “romaria” como peregrinação à cidade de Roma, onde estão os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. Mas, diante dos milhares de romeiros reunidos em Juazeiro do Norte, o bispo fez uma afirmação que ecoou no coração dos fiéis: “Vocês, romeiros e romeiras do Padre Cícero, não vão a Roma. Mas vêm a Juazeiro. Juazeiro é a Roma dos filhos do Padre Cícero.”

Com essas palavras, o bispo reforçou o valor espiritual e simbólico da cidade no coração do povo nordestino, lugar onde fé, tradição e resistência se entrelaçam na caminhada de devoção mariana.

Esperança: âncora da fé cristã

A homilia teve como ponto alto a reflexão sobre a esperança que nasce da fé. Dom Antônio utilizou a imagem da âncora, inspirada na carta aos Hebreus, para ensinar que a vida precisa estar firmemente ligada a Deus. “O barco ancorado pode até balançar com as ondas e os ventos, mas não se perde, porque está firme. Assim também é quem ancora a vida em Deus”, ensinou. “Maria estava de pé ao lado da cruz. Ela não sabia o que viria depois, mas tinha certeza de que aquela história não terminava ali. Ela esperava contra toda esperança humana, porque sua vida estava ancorada no Senhor.”

Ao final, citou o educador Mário Sérgio Cortella para distinguir entre a esperança passiva, proveniente do verbo "esperar",  e a esperança ativa, que nasce do verbo "esperançar": “Esperançar é ir atrás, é não desistir. É essa esperança que move o romeiro. O Papa Francisco nos diz: não vos deixeis roubar a esperança. A nossa esperança é que o bem já venceu, porque Jesus ressuscitou!”

Dom Antônio Carlos: um pastor com cheiro de povo

Carioca e Missionário do Sagrado Coração de Jesus, Dom Antônio Carlos Cruz Santos foi nomeado bispo em 2014 pelo Papa Francisco. Desde então, tem se destacado por sua presença junto aos mais pobres, sua escuta atenta e sua linguagem acessível e acolhedora.

À frente da Diocese de Petrolina (PE) desde março deste ano, é reconhecido por seu compromisso com a evangelização encarnada na realidade do povo. Em Juazeiro do Norte pela primeira vez em uma Romaria dedicada a Nossa Senhora das Dores, deixou uma mensagem que ecoou como consolo, convite e compromisso: “Aprendamos com Maria a manter viva a esperança. Envergamos, mas não quebramos, porque nossa vida está ancorada em Deus.”

Um povo que canta sua fé

A celebração também foi marcada pela participação especial do Coral dos Romeiros, formado por peregrinos vindos de diversos estados do Nordeste. Com chapéus de palha e o som característico da sanfona, o grupo conduziu a animação litúrgica com entusiasmo e fé, expressando na música a força de um povo que, mesmo entre lutas, segue firme no caminho de Maria.

Cada canto entoado foi expressão da devoção romeira, carregada de espiritualidade e resistência. Na simplicidade das vozes e na beleza dos hinos, ressoou a fé viva de um povo que caminha com Maria, guiado pela esperança e pelo legado do Padre Cícero.

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