"Fazer o Nosso Melhor, Agora" 

"Fazer o Nosso Melhor, Agora" 

Categoria: Artigos

08/06/2020 Por: Assessoria de Comunicação


Dizem os místicos contemporâneos que um dos maiores sinais de maturidade do ser humano, é quando ele deixa de perguntar: O que é que a vida tem para me oferecer? E passa a perguntar, distintamente: O que eu tenho oferecido à vida? O que terei realizado? Que diferença tenho feito para o mundo? O que tenho de bom para deixar quando o meu tempo tiver acabado? Em outras palavras, se eu não existisse, que falta faria?

Quando levantamos essas questões, não quer dizer, de imediato, que estejamos pensando na nossa morte; e sim, sobre a vida que vivemos agora, o nosso modo de vivê-la, as decisões que tomamos, as preferências que temos, as coisas com que gastamos o nosso tempo e nas quais investimos a nossa preciosa energia.

O fato é que, morre bem quem viveu bem! Este sim, está satisfeito e não tem de ir atrás do tempo perdido.

Aliás, todos nós, cedo ou tarde, perceberemos que o ser humano tem a necessidade imperativa de ser bom! É uma exigência intrínseca à sua própria natureza.
Se não o somos, sentimo-nos doentes, incomodados, desconfortáveis, tristes e infelizes.

Lendo essas palavras, alguém pode até perguntar: Por que eu devo ser bom, se os maus, os desonestos e mentirosos são os que sempre levam vantagem na vida? Por que somente eu tenho de ser correto em tudo, quando as pessoas, normalmente, "pintam e bordam," e quase nunca são punidas?

Deus, e somente Deus, é a única resposta possível a essa pergunta!
Não porque Ele virá interferir em nossas vidas, punindo uns e recompensando outros; e sim, porque Deus criou a alma humana, de tal maneira inclinada para o bem, que só poderemos nos realizar, praticando o que é bom e cumprindo essa destinação de origem.
Fora desse caminho, não há outro.

Por essa razão, devemos ser bons, não pelos outros, mas, antes, por nós próprios. 
Desse modo, ser bom constitui um ato de suprema inteligência.

Santa Teresa de Calcutá já dizia: "A santidade não é um privilégio reservado a meia dúzia de pessoas. É, antes, uma obrigação de todos!"

Nessa mesma linha de pensamento, Abraham Maslow, o pai da psicologia humanista, falava que, "em certo sentido, só os santos tiveram sucesso na vida. O resto da humanidade fracassou."

Entretanto, digo eu, mesmo para aqueles que não viveram bem as suas vidas e que não estão nada satisfeitos com o que fizeram até aqui, é fundamental sabermos que nada está perdido, independentemente do tempo já vivido ou do nosso passado pouco glorioso.
É sempre tempo de fazer as alterações necessárias!

Isso, porque, não existe somente o tempo humano, o "cronos," o tempo do cronômetro, do relógio, que nos leva irremediavelmente para o fim.
Se tivéssemos de contar apenas com essa modalidade de tempo, estaríamos todos perdidos.
Há um outro tempo, o "Kairós," o tempo de Deus, o tempo certo, o tempo oportuno; que é, precisamente, esse tempo de que dispomos, aqui e agora, e que Deus dispõe sempre.

Nesse sentido, todo o tempo é tempo!
O que decidimos agora é o que interessa, verdadeiramente! 
Deus não quer saber do nosso passado para nada.
O que lhe importa é, tão somente, a nossa atitude sincera no presente, nesse exato momento da nossa existência. 
Isto, e apenas isto, é o necessário e o suficiente!

Basta que confiemos e sejamos capazes de um instante de sinceridade!
E tudo aquilo de bom que, no nosso tempo cronológico, não conseguimos fazer, por qualquer razão, Deus, no tempo d'Ele, que é distinto do nosso, o fará em nós.
Como bem escreveu São Paulo, na sua carta aos Filipenses: "Aquele que em mim começou uma boa obra, virá completada, aperfeiçoá-la." (Fl 1,6)

Dessa maneira, não temos de nos sentir obrigados a fazer tudo. Façamos, simplesmente, o que nos é possível fazer agora. Contanto, que façamos, de fato, tudo o que nos é possível, com as capacidades e as limitações que temos. 
E Deus se encarregará do resto. 
"Podemos ser mortais, mas a vontade de Deus é eterna."

Entra, aqui, a necessidade de fazermos, definitivamente, as pazes com as nossas imperfeições! 
E aprendermos a perdoar a nós próprios, a cada instante. 
Afinal, a sabedoria consiste em aceitar não ser o santo que gostaríamos de ter sido; em acolher o fracasso que somos, como seres humanos. Não se trata do fracasso na profissão ou nos negócios, mas, do fracasso na nossa humanidade, na nossa essência, na nossa alma.

Aliás, ninguém é perfeito. Todos temos as nossas fraquezas.
E se, por um lado, não devemos nos orgulhar delas; por outro lado, também não devemos nos envergonhar, nos sentir diminuídos ou desvalorizados, pelo fato delas existirem. Elas existem em nós e existem em todas as outras pessoas. 
São um patrimônio Universal.

E, diga-se de passagem, exceto em casos muito raros, as pessoas não se propõem, intencionalmente, a fazer o mal, a prejudicar ou a destruir os outros. 
Assim como  também nós, não tivemos a intenção de provocar o erro com o qual estamos lutando agora, por exemplo.
Somos todos seres humanos! 
Não há nenhum entre nós que nunca tenha sido negligente, descuidado ou irresponsável, em um momento ou outro das nossas vidas.

Além do mais, se nós não tivéssemos as nossas fraquezas, pecados e imperfeições, não teríamos nada para desenvolver na nossa viagem pela vida; não teríamos nenhum trabalho interior para fazer.
E é, precisamente, esse trabalho interior que nos liga continuamente à nossa essência.

Então, não devemos alimentar ilusões a nosso respeito!
A nossa vida, por mais que nos esforcemos, é um erro atrás do outro. Mas, é também, uma oportunidade atrás da outra.

Viver é cometer uma sucessão de erros! Entretanto, os nossos erros podem ser, igualmente, pedras de tropeço, ou pedras de edificação; ou seja, oportunidades extraordinárias de crescimento.

Compreender essa verdade, nos deixa mais à vontade diante das nossas limitações, e, ao mesmo tempo, mais abertos ao imenso poder do universo e à infinita bondade do Criador, que nos faz novos a cada novo instante.

Confiemos, então!

 

Pe. Elias, vigário paroquial de N. Sra. de Fátima - Crato

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